Como funciona a metodologia #DeQuebra?

Como funciona a metodologia #DeQuebra?

Nossa metodologia é uma mistura de conceitos científicos para criar algo novo. Também conhecido como gambiarra.
O primeiro é o Positive Thinking. Focamos no seu conhecimento prévio da língua para que o aluno se sinta confortável para novos desafios. O segundo é um apanhado de conceitos históricos para o ensino de idiomas. Classic Method. Traduzir do Português para o inglês. Army Method. Utilização da repetição para aprender vocabulário e pronunciação. Suggestopedia. A criação de um ambiente seguro, que utiliza da arte e do entretenimento para encantar o aluno.

Para além disso, utilizamos também um ramo da linguística chamado African-American Vernacular English (AAVE), que é o estudo do inglês falado pelas comunidades negras norte americanas. Com isso, traçamos o paralelo entre as comunidades negras americanas e as comunidades pretas e pardas das periferias do Brasil. Ainda na mesma veia teórica, utilizamos o conceito de “Bad English” apresentado na Rádio americana NPR, que discute a ideia do inglês ser mais falado por não-nativos do que nativos, e de como podemos nos apropriar de um inglês não-fluente como ferramenta de libertação e construção da auto-estima do aluno.

A metodologia criada e desenvolvida por Alexandre Ribeiro busca, preferencialmente, conectar os alunos com referências não brancas e de locais com baixa representatividade na mídia para criar conexões epistemológicas com os favelados brasileiros. 

Por sermos uma iniciativa de educação não formal, nós consideramos o contexto de vida dos estudantes e utilizamos desse recorte como conteúdo para as atividades didáticas que visam desenvolver os conhecimentos, habilidades e competências. Ainda mais, utilizamos do cronograma de estudos aprovado pelo CEFR. (O Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR) é um padrão internacionalmente reconhecido para descrever a proficiência em um idioma. Através do quadro realizamos a criação da ementa de cada um dos três módulos. O essencial - que cobre tópicos do nível iniciante A1 e A2. Do Intermediário - que cobre tópicos do nível intermediário B1 e B2. E do módulo avançado, que ainda está em construção e busca aprimorar os conhecimentos do nível C1 e C2.

O que é #DaQuebradaProMundo?

#DaQuebradaProMundo é uma escola não-formal que partilha os conhecimentos da língua inglesa. A nossa missão é, através de uma educação não formal e libertadora, trazer novas perspectivas para a vida de moradores de periferia do mundo todo. O nosso objetivo é transformar a excessão em regra. O nosso compromisso é partilhar o conhecimentos de classe, raça, gênero e liberdade financeira através de aulas de inglês e formar uma quebrada global.

“Da Quebrada Pro Mundo” nasceu em 2019 como uma história individual de superação e excessão, quando nosso fundador foi para a Alemanha, e anos depois, por conta da indignação contra as desigualdades, se transformou em um sonho coletivo. O nosso sonho é que nossas histórias de vitória se tornem a regra.

Alexandre Ribeiro, 23 anos, escritor, é o fundador da iniciativa. Alexandre é morador da Favela da Torre, em Diadema, São Paulo e, por conta de uma bolsa de estudos integral, está cursando Literatura e Retórica no Bard College Berlin na Alemanha. 

Aos 11 anos, Alexandre perdeu o pai (Antenor, que era segurança) para o H1N1 depois de mais de doze horas de espera na fila do hospital e prometeu para si mesmo que encontraria um meio de acabar com o ciclo da violência na vida dos moradores da periferia. Por ter sido aluno de diversas ONGS de ensino não-formal foi que Alexandre resolveu devolver para as quebradas um curso de inglês de preço baixo, focado em conteúdos libertários e populares.

Por que o projeto foi criado?

O desafio principal é o paradigma social de que existem “locais de rico” e “locais de pobre”. A iniciativa nasceu para mostrar que todo lugar do mundo pode ser o nosso lugar. De acordo com levantamento feito pela British Council, apenas 5% da população brasileira sabe se comunicar em inglês - e, destes, apenas 1% apresenta algum grau de fluência. Para além disso, mais de 65% dos entrevistados disseram não poder fazer um curso de inglês por conta do preço. Em outra pesquisa, nessa para o Datafolha mais de 62% dos jovens entrevistados disseram que se tivessem a oportunidade de sair o Brasil sairiam. 

Esses são os desafios que a iniciativa encontra e buscamos superar. 

Para quem é feito esse curso?

Adolescentes a partir dos 14 anos de idade aos 18 anos. Adultos dos 18 anos até os 40/50 anos de idade. O perfil majoritário do nosso público-foco são pessoas negras (pretas e pardas), do que atualmente são consideradas as classes C, D e E. Mesmo assim o projeto não se limita unicamente a esses públicos tendo em vista que somos abertos a todas as pessoas e suas singularidades.

A iniciativa abre módulos físicos de aulas presenciais híbridas (de maneira presencial e transmitidas ao vivo para o mundo todo) na Casa do Hip Hop de Diadema, no Canhema, bairro de nosso fundador. A iniciativa prevê um espaço no final de cada módulo onde os participante compartilham os anseios e desejos, tal qual é aberto um processo horizontal de construção dos novos módulos para alunos novos e os que ficam para os módulos mais avançados.

Como vamos resolver esses desafios?

A iniciativa veio para resolver essa questão, mas não pensando em um curto prazo e em um plano imediatista. Os cursos de aprendizado de inglês não formal #DaQuebradaProMundo utilizam da metodologia #DeQuebra: quebra das falsas promessas, não vendendo falsos sonhos de fluência. Quebra das expectativas, mostrando caminhos possíveis de alcançar um nível essencial do idioma estrangeiro em um ano e meio. E quebra da barreira financeira, trazendo um conteúdo de qualidade por um preço justo e acessível. Para além disso, sofremos com o problema de que nossos tesouros epistemológicos, que nossa mão de obra especializada, acaba indo morar no exterior e não volta. #DaQuebradaProMundo é também trazer o mundo de volta para a quebrada. Focando em um sistema de trocas: de aprendizado, de vivências e de riquezas, a iniciativa busca conscientizar todos os alunos em voltar para as suas quebradas de mão e mentes repletas.

Abordamos questões relacionadas à interseccionalidade? 

A iniciativa aborda questões da interseccionalidade de raça, classe e gênero nos conteúdos que são trabalhados em aula. Conteúdos do feminismo negro, trazendo autoras como bell hooks, Angela Davis e Toni Morison são trabalhados. Questões raciais, através dos textos e discursos do Dr. Martin Luther King Jr. são discutidos. Discussões de classe com materiais de estudo de Hannah Arendt são exemplos das maneiras que as questões relacionadas à interseccionalidade são abordadas na iniciativa #DaQuebradaProMundo.

Quais são os resultados até aqui?

Reunimos uma turma inicial pra validar o método e, ao final das aulas fizemos algumas perguntas aos nossos alunos, afim de extrair informações para melhorias. Dentre as respostas destaca-se que:
-100% dos alunos disseram que o conteúdo das aulas será útil para o crescimento de suas carreiras.
-100% dos alunos disseram que os métodos do professor ajudaram a entender melhor o assunto.
-100% dos alunos ficaram Satisfeitos ou Muito Satisfeitos com a experiência.
-93% dos alunos disseram que o curso têm a medida certa entre teoria e prática.
A maioria dos alunos em suas considerações finais elogiaram os conteúdos das aulas, dizendo que focar nos pretos e usar as situações do cotidiano das quebradas aumentou o foco e a vontade de aprender do aluno reduzindo a evasão de curto a médio prazo.

Em geral, os depoimentos de nossos primeiros alunos nos deixaram felizes e ainda mais motivados a revolucionar o ensino de inglês com a quebrada no centro. Isso é aprender inglês #DeQuebra!

Os alunos desenvolvem um conhecimento significativo e aplicam na prática?

A iniciativa busca desenvolver competências através de uma ementa pautada em aulas identitárias, focadas no direito de errar que foi historicamente negado para as populações negras brasileiras. Para além disso, o conhecimento significativo é reforçado através de exercícios de fixação com recortes de territorialidade, com um vocabulário pautado no African Vernacular English. Por fim, para a aplicação pratica e para alinhar os conhecimento teóricos da língua inglesa em suas diferentes modalidades - escrita, lida e ouvida - nós buscamos a maneira mais leve e inspiradora possível para que nossos alunos possam chegar no aspecto final e mais difícil da aprendizagem de idiomas: a produção.

Como são feitas a avaliação, monitoramento e acompanhamento dos resultados?

Não acreditamos em um processo rígido de avaliação, na verdade buscamos que a aprendizagem seja feita de maneira leve e que os próprios alunos sejam capazes de desenvolver os conhecimentos com autonomia e segurança. Todavia, disponibilizamos avaliações voluntárias e essas são feitas no meio e no fim de cada módulo, sendo assim depois de um mês e meio do início das aulas, e no final dos três primeiros meses de aula. O monitoramento e acompanhamento é feito semanalmente, onde no final de semana colhemos o feedback dos alunos de como foram as aulas e os exercícios para que no começo das aulas da semana seguinte possamos discutir e iniciar os trabalhos seguintes. No final de nossa primeira turma produzimos um censo através de um questionário do Google Forms e esse será anexado na documentação.

Como a iniciativa se conecta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, Educação de Qualidade?

A iniciativa #DaQuebradaProMundo está totalmente de acordo e se conecta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, Educação de Qualidade. Não somente por aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que tenham habilidades relevantes, por ampliar o acesso ao conhecimento da língua inglese, que amplia os leques de profissionalização de nossa população. Mas também por trazer noções reais e impacientes de trabalho decente e de empreendedorismo advindos da própria história de nosso fundador, um jovem negro da periferia do Brasil, que através do empreendedorismo social e da educação está em busca da transformação da realidade brasileira e do mundo. De acordo com o item 4.1, nós lutamos em favor de uma educação fundamental e média equitativa e de qualidade. Nós estimamos a primeira infância e fazemos de nossa iniciativa um cultivo as políticas públicas de qualidade que resguardam as crianças de nossas comunidades em todo o Brasil. Buscamos e asseguramos a equidade de gênero, raça, renda, território e outras maneiras através de nossa educação de qualidade e libertária. Buscamos eliminar as desigualdades de gênero, raça, renda e território e outras maneiras da desigualdade através da inserção dos nossos em espaços de poder e educação. Nós também buscamos ao máximo ofertar infraestrutura física adequada as necessidades de todos nossos alunos.

Como eu faço para me inscrever?

Ficamos muito contentes com a sua decisão de começar a aprender conosco! Para se inscrever é só clicar aqui e preencher o formulário de inscrição.
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